O SENHOR DEPUTADO BIRA
DO PINDARÉ (sem revisão do orador) - Senhor Presidente, colegas parlamentares,
imprensa, galeria, servidores, povo do Maranhão. Senhor Presidente, em primeiro
lugar, eu queria justificar minha ausência, ontem, na Sessão Ordinária, estive
no município de Miranda a convite da Associação do Povoado Cariongo-III que
estava em discussão com os representantes da Vale do Rio Doce em razão das
dificuldades que aquela comunidade enfrenta por conta das casas que estão
ameaçadas, inclusive de desabamento por conta da trepidação da linha de trem
que fica ali muito próxima da comunidade, então fui lá a convite e depois posso
tecer maiores comentários sobre o assunto. Também dizer que cheguei a tempo,
ontem, da audiência pública sobre a CAEMA, mas, infelizmente, a CAEMA não
compareceu, a Secretaria de Saúde não mandou representante em um total descaso
a esta Casa e a população do Maranhão que continua sem entender as razões do
reajuste que foi concedido pela CAEMA, mas eu vou falar desse assunto em outro
horário, talvez nesta sessão senão na próxima sessão. Eu queria, hoje, Senhor
Presidente, falar sobre pelo menos um caso, que é o caso Décio Sá em razão,
sobretudo, do pronunciamento que eu vi aqui do deputado Raimundo Cutrim, que
foi Secretário de Segurança do Estado, eu estou apresentando uma Indicação ao
Ministro da Justiça, para que ele determine que a Polícia Federal assuma as
investigações do caso Décio Sá, por que é que eu estou fazendo isso? Porque
ficou muito claro pela manifestação do deputado e pela reação do secretário,
que não há ambiente político adequado para que as investigações desse caso
continuem sendo conduzido pela Secretaria de Segurança do Estado. Foi lançada
suspeita sobre toda a investigação. Toda a investigação está sob suspeita em
razão da fala do deputado, que não é a fala de qualquer deputado, é um deputado
que foi secretário de Segurança do Estado, então não é qualquer deputado que
está falando que houve manipulação. Se houve ou se não houve manipulação da
investigação, não cabe a nenhum de nós aqui dizer já que nós não temos essa
capacidade, mas a Polícia Federal pode fazer essa investigação. A Polícia
Federal pode assumir esse caso e aprofundar as investigações em todos os seus
aspectos, não só na morte em si do jornalista, que foi uma coisa brutal e
impactante, mas também do que está no seu entorno, isto é, a agiotagem e o
desvio de recurso público até da merenda escolar. Fala-se que tiraram comida da
boca das crianças para financiar agiotagem no Estado do Maranhão, para
financiar campanhas eleitorais, porque nós sabemos que é para isto que a
agiotagem tem servido no Estado do Maranhão, principalmente para financiar
campanhas eleitorais. Eu conheço prefeitos que estão, durante toda a sua
gestão, em depressão porque não conseguem enfiar um prego numa barra de sabão
para poder pagar os agiotas que são pagos com o dinheiro público. Então, é uma
situação da maior gravidade e, portanto, nós não podemos ficar aqui apenas como
espectadores assistindo, olhando, sem entrar nessa discussão. Temos que
debater. Eu propus a CPI, não por iniciativa minha, até reconheço, mas foram os
próprios jornalistas que no clamor da situação pediram e nós apresentamos. A
CPI não teve as assinaturas necessárias, mas poderia cumprir a sua finalidade.
Então, se a polícia do Estado não tem condições de investigar, se a Assembleia
Legislativa se recusa a constituir uma CPI, se ninguém quer botar o dedo na
ferida, então é preciso chamar a Polícia Federal. E eu estou encaminhando essa
Indicação formalmente, por intermédio desta Casa, para que o ministro se
posicione, para que a Polícia Federal se posicione a fim de a gente possa ter o
esclarecimento total de toda essa situação que envolve o assassinato do jornalista
Décio Sá. Para mim foi lançada suspeita geral, até mesmo nós sabemos o que
aconteceu com o Valdene, que tem a ver com essa situação e foi também
executado. Já se fala que o capitão foi injustamente acusado, fala-se isso,
está na mídia, nos rádios, na internet. Se foi, é uma situação da maior
gravidade. Quem é que vai pagar essa injustiça caso de fato o capitão não seja
culpado nessa história? Então, por tudo isso, eu acho que não tem mais ambiente
político para essa investigação ser feita aqui no Estado do Maranhão. Eu peço a
V.Exas., inclusive, apoio a essa iniciativa para que a gente leve ao
conhecimento das instâncias federais, do Ministério da Justiça, do senhor
ministro José Eduardo Cardoso e da Polícia Federal para que entre, para que
investigue e vá até o final dessa história para que a gente possa fazer o
enfrentamento à pistolagem no Maranhão e para que a nossa população possa
dormir pelo menos um pouco mais tranquila. Eram essas as minhas palavras por
enquanto, senhor presidente. Obrigado.